BLOG DO VANDER LUIZDESTAQUE

Morreu Eliseu de Góes aos 80 anos

 

Faleceu no final da tarde desta terça-feira (11), Eliseu Benedicto Góes aos 80 anos. Deixa a esposa Lídia Justo de Góes (Buto) e os filhos Rodrigo e Mariana, a nora Daiane e o neto Vitor.

Eliseu era o mais velho entre os irmãos Hélio, Henrique, Diná, Dinorá (falecida), Rui, Roque e Léia família que deu origem à Vinícola Góes.

O corpo está no Velório Municipal e o sepultamento será nesta quarta-feira (12) no Cemitério da Paz às 17 horas.

Passou a vida plantando uva, além de carroceiro e eletricista. Acima de tudo era um apaixonado pelo futebol, sendo jogador, treinador e presidente do Canguera Futebol Clube.

É com muita tristeza que informo a morte do amigo Eliseu, pessoa que aprendi a admirar por sua amizade sincera, sua alegria, sua simplicidade e por suas histórias.

Sabia tudo de Canguera e a gente conversava principalmente sobre futebol. Era o historiador do Canguera Futebol Clube.

A nossa última conversa foi mais ou menos há um mês em sua casa quando já encontrei um Eliseu diferente, reclamando um pouco de dor na região do abdômen.

Hoje, pela manhã o prefeito de São Roque, Claudio Góes, durante a entrevista sobre os cem primeiros dias de governo, comentou que o estado de saúde do tio não era bom e que estava na UTI.

A partir dessa informação o meu dia ficou difrente diante da gravidade do caso e, infelizmente, a notícia da sua morte veio a ser confirmada mais tarde.

Quantas vezes o Eliseu ligou para mim para dizer que estava me ouvindo nas jornadas esportivas da Jovem Pan e para falar do São Paulo Futebol Clube. Quantas vezes trocamos ligações para falar de futebol e contar histórias.

Contava histórias do Campo do Porfírio, do Campo do Zeca Godinho, do Campo do Belmirio, do Estádio Zito Godinho.

Falava de Ticoso, Luís Góes, Babi, Zito Godinho, Aristeu, Mingote, Grasio, Juvenal, Chéu, Castelo, Tó de Neco, Gumercindo Moraes, Ziro, Dito Marchi e tantos outros nomes que ele anotou para mim no verso de xerox de fotos.

Anotações feitas por Eliseu de Góes com a escalação do Canguera

Um dia ligou dizendo que eu tinha que conhecer a história de Dico Leite. E lá fomos fazer uma entrevista com o goleiro que foi o produtor do Vinho Campeão.

Eliseu de Góes e Dico Leite (2003). Reprodução Jornal da Economia

O apelido foi uma herança do pai Silvério Francisco Leite, primeiro vinhateiro a usar a marca Canguera e depois proprietário dos Vinhos Campeão.

“Meu pai e o Amaro Godinho (outra tradicional vinhateiro) costumavam comparar os vinhos que produziam. O Amaro tomava o vinho dele e dizia uma palavra de elogio, que eu não sei bem qual era. Já o meu pai experimentava o vinho que produzia e dizia formidável. Assim o Zeca (filho de Amaro Godinho) passou a chamá-lo de Formidável e eu de Formidavelzinho”, explicou.

Mas Dico também foi formidável no gol, principalmente em um jogo contra Embu Guaçú. O Canguera tinha apenas treze jogadores para os dois quadros. Na preliminar, Formidável jogou na linha. No principal, fez a melhor partida da vida.

“Eu escutava a torcida atrás do gol dizer que valia a pena ver um jogo com um goleiro desse”, revelando que naquele dia almoço na casa de um amigo e abusou um pouco.

“Dizem que a bebida atrapalha, mas eu achei tudo muito gozado”, emocionou-se ao recordar.

Eram histórias assim que o Eliseu conhecia bem e ajudava a resgatar.

LOTERIA ESPORTIVA

Eliseu contava que certa vez acertou os treze jogos da Loteria Esportiva e ficou com medo que ladrões invadissem a sua casa para roubar o cartão premiado que seria levado no dia seguinte na Caixa Econômica Federal de São Roque.

Como alguém iria descobrir que tinha um acertador que morava em Canguera? Por via das dúvidas, Dito Canela foi dormir na casa de Eliseu para garantir a segurança.

Eliseu contou a história do “Leão da Mairinque-Santos” na coluna Galeria do Jornal da Economia (2003)

No final do ano, cuidava da preparação da cesta de natal de várias famílias do bairro. Era ele quem montava cada cesta. Pois ele sabia quantos integrantes tem cada família.

Com orgulho participei da lista dos amigos que no início do ano eram convidados a comparecer a Canguera para buscar uma caixa de uva.

Algumas vezes a retirada era na sua casa, mas algumas vezes também fui no Sítio Jataí, onde ele tinha suas parreiras. A cada ano ele falava, talvez esse seja o último. A uva está acabando. Quem comprar o meu terreno?

No seu sítio, era possível ouvir o ronco de um grupo de bugios.

Eliseu, Moacir Bid, Toninho Simões e o filho Rodrigo de Góes na exposição Galeria (2003). Reprodução Jornal da Economia

Foram tantas histórias que não vou lembrar de todas nesse momento.

Por exemplo, Eliseu marcava presença todos os anos na Entrada dos Carros de Lenha, sempre conduzindo o trator mais aguardado pelo Zé do Nino.

No nosso último encontro, lembrou do aniversário de 81 anos de Zé do Nino.

“Como foi feito um carro supresa para o aniversariante inventaram para o Zé do Nino no dia dos desfile que eu iria faltar. O Zé não se conformava. Não fui para o Colégio São José [Avenida João Pessoa] e segui direto para o início do desfile na Bandeirantes. O Zé do Nino ficou feliz quando me viu, mas se recusou a sentar na cadeira. Disse que não era rei sentar no trono e foi o desfile inteiro ao lado do trator”.

Zé do Nino e Eliseu na Entrada dos Carros de Lenha (2004)

Nossos sentimos aos familiares, vou guardar com carinho as histórias do futebol de Canguera.

ELISEU PRESENTEAVA OS AMIGOS COM FOLHINHAS QUE TRAZIAM FOTOMONTAGENS COM ANIMAIS

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

2 thoughts on “Morreu Eliseu de Góes aos 80 anos

  • Rodolfo de Lucca JUnior

    O Eliseu era uma pessoa maravilhosa, eu infelizmente só o encontrava uma vez por ano, no dia da Entrada dos carros de Lenha, mas sempre era um encontro inesquecivel, muito triste com a sua morte

    Resposta

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