Outros

Em 1975, Festas de Agosto ganham tapete de rua e a música “São Roque, o Peregrino”

A COLUNA ARQUIVO VIVO É PUBLICADA NO JORNAL O DEMOCRATA 

Em 1975, os tapetes de rua e a música “São Roque, o Peregrino” foram incorporadas às Festas de Agosto

O desfile de Entrada dos Carros de Lenha passa pelas ruas centrais, marcando o início oficial das Festas de Agosto de 2025. Em uma das calçadas tomadas pelo público, Mariza Cruz conta a um jovem a história do centenário evento, criado para arrecadar dinheiro para a compra de uma nova imagem de São Roque. Segundo o historiador Joaquim Silveira Santos, na coluna São Roque de Outrora, publicada no jornal O Democrata, o padre João Carlos da Cunha chegou a São Roque em 1881 e, no ano seguinte, mandou vir da França a atual e vistosa imagem do padroeiro para substituir a antiga que, “pela sua imperfeição, já não estava de acordo com a liturgia”, descreveu o vigário no Livro do Tombo.

Uma pessoa que estava próxima de Mariza comenta que gostou de conhecer a história e sugeriu que, durante a passagem dos carros de lenha e dos demais integrantes do desfile, o público fosse informado sobre o significado da tradição.

Faço esse resgate porque é a curiosidade que transforma a vida. Depois de um passeio em Itu, para conhecer a cidade Berço da República, Mariza e o esposo observaram uma placa indicando São Roque ainda sem acesso asfaltado à rodovia Castello Branco. Ela encantou-se com a cidade e, três anos depois (em 1982), o marido a presenteou com a notícia de que seria plantonista da Santa Casa de São Roque. Mariza e o médico José Oliri da Cruz fincaram raízes na cidade. Ela, graduada em Serviço Social, passou a trabalhar na APAE, além de participar de várias atividades sociais.

Por isso, o Arquivo Vivo resgata dois temas já abordados em edições anteriores, que talvez possam ter alguma relevância ou apenas sirvam como uma informação despretensiosa.

Logo no primeiro ano, o tapete de rua criado por Vasco Barioni ganhou destaque na procissão de São Roque. Jornal O Democrata (23/08/1975).

Em 1975, Vasco Barioni realizou o primeiro tapete de rua, ao lado do filho José Roque e de outros amigos, em frente ao Cine Teatro São José, de sua propriedade. Meio século depois, é impossível imaginar a procissão de São Roque sem o colorido dos tapetes de serragem tingida e outros materiais, inspiração que Vasco trouxe da procissão de Corpus Christi de Matão (SP).

Em dez anos, os tapetes de rua já ocupavam todo o trajeto da procissão: Praça da República, Rui Barbosa (dividida em três trechos), Marechal Deodoro e XV de Novembro. O Democrata (31/08/1985)

No mesmo ano, Affonso Pegoraro, regente do Coral do Hospital das Clínicas, compôs a música “São Roque, o Peregrino”, que narra a vida do santo de origem nobre que doou toda a fortuna aos pobres. “Louvai, louvai São Roque, o peregrino” foi cantado pela primeira vez na novena da Igreja Matriz, em 16 de março de 1975. Sucesso total! Quando se fala em Festa de São Roque é comum alguém cantar o refrão que virou uma espécie de hino do município.

A letra de “São Roque, o Peregrino” publicada pela primeira vez no Jornal O Democrata, em março de 1975. Canção é a trilha sonora das Festas de Agosto
Autor da música “São Roque, o Peregrino”, Afonso Pegoraro faleceu aos 56 anos. Era solteiro e deixou as irmãs Lourdes e Aparecida. Jornal O Democrata (11/06/1991)

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *