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Em 1968, inauguração do primeiro trecho da Avenida Antonino Dias Bastos

Em 1968, inauguração do primeiro trecho da Avenida Antonino Dias Bastos

Uma forte chuva derrubou um trecho do muro de contenção da Avenida Antonino Dias Bastos, na tarde do último domingo (25 de janeiro), próximo à rua Benjamim Constant. Não é a primeira vez que uma das mais importantes vias de mobilidade urbana de São Roque passa por esse tipo de problema. O maior deles ocorreu em março de 2016, quando a parte final da Marginal cedeu, permanecendo interditada ao tráfego por vários meses. A ponte, também no final da avenida desabou nos anos 1990. Na década anterior, teve a passagem de veículos proibida na ponte do cruzamento com a rua Pedro Vaz. A Avenida Antonino Dias Bastos precisa de uma grande reforma e a construção do sonhado prolongamento pela Avenida Vereador Rodolfo Salvetti (Rio Guaçu).

O Arquivo Vivo resgata a inauguração do primeiro trecho da Avenida Antonino Dias Bastos, entre as ruas Sotero de Souza e Sete de Setembro, ocorrida em 6 de janeiro de 1968, no governo do prefeito Rino Boccato (1964–1969), diretor do jornal O Democrata. O projeto surgiu no Plano Piloto, na primeira administração do engenheiro Mário Luiz Campos de Oliveira (1961–1963) e, mesmo com o final do mandato, ele tornou-se o engenheiro responsável pela obra por ser um dos sócios da Construtora Elo, empresa vencedora da concorrência.

Na edição de 30 de dezembro de 1967, O Democrata manchetou: “Dia 6 de janeiro: entrega oficial da Avenida Marginal”. “Está concluído o primeiro trecho da Avenida Antonino Dias Bastos. Trata-se de uma obra de grande valor e importância para o presente e o futuro. Uma obra de urbanização e de saneamento. Uma obra que vale por uma administração inteira… As críticas negativas de alguns e o descrédito de outros não foram obstáculos suficientes, e esta obra será entregue com o slogan ‘Por São Roque’, que consagrou o nosso Heitor Boccato nas urnas, o que se justifica plenamente.”

A reportagem trouxe os serviços executados: canalização do rio Carambeí (400 m), com paredões de concreto ciclópico (blocos de pedra sobrepostos sem utilização de argamassa); calçadas em concreto com aplicações multicores; jardineiras lineares (800 m) com o plantio de hortênsias; guias e sarjetas (600 m); ponte em laje de concreto armado (35 m) na Praça da República; e ponte de pedestres na altura da rua Benjamim Constant; pavimentação asfáltica (8.500 metros quadrados); iluminação (33 luminárias) a vapor de mercúrio; ajardinamento junto à Praça da República, sob a ponte da João Pessoa e arborização da Av. Marginal. “Em breve, o início do segundo trecho [até a Avenida Brasil], remodelação do Jardim Público (Praça da República) e instalação de uma fonte luminosa.”

Os moradores da avenida prepararam um abaixo-assinado agradecendo ao prefeito Rino Boccato. “Anteriormente, à grandiosa obra, a nós reservaram os mosquitos, o mau cheiro e a poeira. Uma verdadeira tragédia”, assinam Dorothy Maccagnini Gazak, Dino Maccagnini, Afonso Xavier Porto, Clarice Lozardo Porto, Fábio Cantoni, Mietta Cantoni, A. E. Cantoni, Jan Antonio Gazzak, R. Tagore Pires, Irene de Arruda Pires, Ana Maria Arruda Pires, Lya Maccagnini, Zurma Bernasconi Azzari, Aldo Sacco, Arlindo Carlini, Romilda Carlini, Sônia Maria de O. Abreu, Luiza Napollitano Abreu, José Luiz Aguiar, Antonio Borges, Henrietti Bertin Borges, Cláudio Alonso, Carlos Carlini, Ricardo Carlini, Aurélia Carlini, Joana Laura Duarte Carlini, Quintino de Lima, Elzira de Lima e Maria Inez Carlini.

O jornal O Democrata fez ampla cobertura da inauguração, destacando o corte da fita inaugural pela senhora Julieta Dias Bastos, esposa do homenageado Antonino Dias Bastos, além da presença de autoridades, bandas de música e grande participação popular. Na semana seguinte (13/01), combateu em primeira página um boato (o “pai da fake news”): “De boato a boato, o fato. Feira livre na Avenida Marginal, nunca!”, dizia a manchete.
“Um logradouro público que será indubitavelmente a artéria principal da cidade não pode, de forma nenhuma, ser entrilhado com uma espécie de comércio que, embora beneficente à população, provoca avalanche de resíduos, na maioria das vezes malcheirosos.”

Foto 1. Jornal O Democrata (30/12/1967): inauguração do primeiro trecho da Avenida Antonino Dias Bastos

Foto 2. Dona Julieta Dias Bastos corta a fita inaugural da avenida que leva o nome do esposo dela Antonino Dias Bastos (Nino). Vereador Armando Euzébio, prefeito Rino Boccato, Julieta Dias Bastos, engenheiro Mário Luiz Campos de Oliveira e Argeu Villaça (chefe de gabinete). O Democrata (06/01/1968)

Foto 3. Trecho inicial da Avenida Antonino Dias Bastos, entre as ruas Sotero de Souza e Sete de Setembro. Jornal O Democrata (30/12/1967)

Foto 4. Prefeito Rino Boccato inaugura a Avenida Marginal: “obra que vale por uma administração inteira”. Jornal O Democrata (13/01/1968)

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

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