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Barão de Piratininga – Antonio Joaquim da Rosa

Barão de Piratininga (1821/1886): são-roquense com destaque na política e literatura

Antonio Joaquim da Rosa – Barão de Piratininga – nasceu em São Roque, em 1821, filho do capitão Manoel Francisco da Rosa e de Maria Custódia de Moraes Rosa. Herdou do pai o interesse pela política, ocupando vários cargos até chegar a governar a Província de São Paulo por alguns dias, na condição de vice-governador.

O Barão de Piratininga também se destacou como escritor (romancista e poeta). Colaborou em vários jornais, com destaque para o Correio Paulistano (fundado em 1854), onde publicou parte de sua obra em capítulos e atuou como correspondente de São Roque. Escreveu ainda no Diário Mercantil, Jornal do Comércio, Almanaque Literário de São Paulo e Revista dos Novos.

O professor Paulo da Silveira Santos escreveu inúmeros textos sobre a vida e a obra do Barão, defendendo por anos a instalação de um museu na cidade com o nome do ilustre conterrâneio e a construção de uma estátua em praça pública. Nos anos 1970, a Prefeitura de São Roque inaugurou o busto do Barão de Piratininga no início da Avenida João Pessoa, ao lado do casarão onde ele residiu e que foi demolido na mesma época.

Estudou em Sorocaba com o objetivo de ingressar na Faculdade de Direito, mas acabou dedicando-se ao comércio em São Roque. Ele e o irmão, Manoel Inocêncio da Rosa (Comendador Inocêncio), deram sequência ao trabalho do pai na casa comercial na venda de fazendas (tecidos) e secos e molhados., localizada na Rua de Novembro (hoje, Casas Pernambucanas) que ficava ao lado do Paço Municipal (demolido para abertura da segunda pista da Avenida João Pessoa).

Eleito vereador aos 24 anos (1845), presidente da Câmara Municipal, juiz municipal e de órfãos, delegado de polícia e membro da Comissão Municipal Julgadora de Exames Escolares. A visita a São Roque do imperador D. Pedro II (1846) transformou-se em um divisor de águas na carreira do jovem político. O imperador, a esposa e a comitiva ficaram hospedados no sobrado da família Rosa. Conquistou a simpatia do imperador, o que contribuiu para alcançar cargos mais elevados.

Deputado provincial [estadual] por quatro biênios seguidos (1850 a 1857), tornando-se líder do Partido Conservador e presidente da Assembleia. Companheiro de partido do capitão Joaquim Roberto de Azevedo Marques (fundador do Correio Paulistano), quem o convidou para ser correspondente do jornal em São Roque. Foi ainda deputado geral por duas legislaturas.

Em 1868, tornou-se segundo vice-presidente da Província de São Paulo e, no ano seguinte, exerceu o cargo por curto período, durante o afastamento do titular e enquanto o primeiro vice-presidente não se apresentava. Em 1879, foi novamente eleito deputado provincial.

O professor Paulo da Silveira Santos afirma que o Barão de Piratininga poderia ter sido senador, ministro do Império ou presidente da Província, não fosse sua saúde frágil, que se agravou com o passar dos anos.

Utilizou sua força política para a elevação de São Roque a município, além da fundação da Santa Casa de Misericórdia de São Roque (1872), em parceria com o irmão, Comendador Inocêncio.

OBRA LITERÁRIA

Escreveu as novelas “A Assassina” (1948, com carta-prefácio de Júlio Ribeiro), “A Feiticeira” (1849) e o romance “A Cruz de Cedro” (1851, em folhetins no Jornal do Comércio/RJ). Esta é a obra de maior repercussão, na qual retrata o Colégio de Araçariguama (vizinho a São Roque) e os padres Belchior de Pontes e Guilherme Pompeu de Almeida, conhecido como o Creso de Parnaíba (município de Santana de Parnaíba). Um romance que não agradou à Igreja Católica por retratar a maldade de um padre que interfere no romance de um jovem casal.

Constam ainda as seguintes obras: “Menino Louro, Mater!” (1854), “Canto do Cisne” e “Vivo-Morto” (1876-1885, poesias no Almanaque Literário de São Paulo), “A Ermida de Santo Antonio” (1881) e “O Salto de Guainumbi” (1884, Almanaques Literários de São Paulo).

BARÃO DE PIRATININGA

A condecoração de Barão de Piratininga, por parte do imperador D. Pedro II, ocorreu por decreto em 13 de novembro de 1872, referendado por João Alfredo Correia Oliveira, pelos trabalhos na elaboração da Lei do Ventre Livre.

ACIONISTA DA ESTRADA DE FERRO SOROCABANA

Era um homem rico em razão das atividades comerciais e um dos acionistas fundadores da Estrada de Ferro Sorocabana. A inauguração da ligação entre Sorocaba e São Paulo (passando por São Roque) ocorreu em 1875. O Barão não escondeu a indignação ao saber que os trilhos da ferrovia não passariam pelo centro de São Roque, sendo necessária a abertura de uma rua do Largo da Matriz até a estação, obra de elevado custo que incluiu a construção de uma ponte sobre o Rio Carambeí. A Rua da Estação é a atual Avenida João Pessoa. A primeira estação ficava nas proximidades de onde foi construído o Colégio Manley Lane.

Apesar do sucesso político e financeiro, o Barão de Piratininga não teria sido feliz no amor. Paulo Silveira Santos comenta que o pai de seu professor, Joaquim Silveira Santos, parente colateral do Barão, o conheceu pessoalmente. Na coluna  “São Roque de Outrora”, publicada semanalmente no Jornal O Democrata, o históriador cita várias passagens da carreira política e até mesmo da vida pessoal. A monografia que também oi publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (1940) cita que ele não se casou por conta de uma decepção de um amor não correspondido por uma professora. No entanto, deixou filhos com escravas. Um dos filhos, Maurício de Oliveira, foi vereador em São Roque, e o neto Euclydes Oliveira elegeu-se deputado estadual, além de ocupar os cargos de vereaador e prefeito de São Roque.

“NINGUÉM”

O Barão de Piratininga faleceu em 26 de dezembro de 1886. O Correio Paulistano publicou, dois dias depois, a necrologia do Barão. Faleceu em sua chácara (hoje, rua Padre Marçal), a poucos metros do casarão da família. No final da vida, não mantinha tanto contato com as pessoas e demonstrava irritação por não ter a mesma liderança e a força política dos anos de glória. Deixou um pedido curioso para que fosse cumprido no sepultamento. Na lápide, sem o nome dele, nenhuma referência aos cargos que ocupou e dos trabalhos que realizou. Apenas a palavra “Ninguém”.

CADEIRA DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

Na fundação da Academia Paulista de Letras, em 1909, o escritor e médico são-roquense Cláudio de Sousa foi convidado para integrar a instituição com a missão de escolher o patrono da cadeira 19, que ganhou o nome de Barão de Piratininga. Além de Cláudio de Sousa, a cadeira foi ocupada por José Pedro Leite Cordeiro (28/03/1956), Erwin Theodor Rosenthal (07/10/1986) e Sinésio Sampaio Góes Filho (posse 18/05/2017).

CAPELA DO SÍTIO SANTO ANTONIO

O Barão de Piratininga não apenas escreveu o livro “A Ermida de Santo Antonio” (1881), como também comprou o sítio com a Casa Grande e da Capela de Santo Antonio, construídos no século XVII pelo bandeirante Fernão Paes de Barros, irmão do fundador de São Roque, Pedro Vaz de Barros.

Em 1937, o escritor Mário de Andrade encantou-se com o imóvel, então abandonado e praticamente em ruínas. Em 1944, Mário de Andrade adquiriu a propriedade e entregou ao arquiteto Luís Saia o trabalho de restauração. O escritor faleceu no mesmo ano e deixou o imóvel em doação ao SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O imóvel tombado pertence ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

BARÃO DE PIRATININGA – ANTONIO JOAQUIM DA ROSA

Nome completo:
Antonio Joaquim da Rosa

Título:
Barão de Piratininga

Data de nascimento:
1821

Local de nascimento:
São Roque (SP)

Data de falecimento:
26 de dezembro de 1886

Local de falecimento:
São Roque (SP)

Local de sepultamento:
Cemitério da Paz – São Roque (na lápido de mármore branco apenas datas e a palavra “Ninguém”)

FILIAÇÃO

Pai:
Manoel Francisco da Rosa — capitão e chefe político em São Roque

Mãe:
Maria Custódia de Moraes Rosa

Irmão:
Manoel Inocêncio da Rosa — Comendador Inocêncio

Observação sobre descendência:
Não se casou oficialmente, mas deixou filhos com escravas. Um deles Maurício de Oliveira vereador de São Roque, pai do professor Euclydes de Oliveira (vereador, prefeito de São Roque e deputado estadual).

FORMAÇÃO E VIDA PROFISSIONAL

  • Estudou em Sorocaba com intenção de ingressar na Faculdade de Direito

  • Dedicou-se ao comércio em São Roque (tecidos e secos e molhados)

  • Deu continuidade, com o irmão, ao comércio da família

VIDA POLÍTICA (PRINCIPAIS DATAS)

  • 1845 — Eleito vereador em São Roque (aos 24 anos)

  • 1846 — Recebe D. Pedro II em sua residência (sobrado da família Rosa)

  • 1850 a 1857 — Deputado provincial por quatro biênios consecutivos

  • 1854 — Correpondente do Correio Paulistano

  • 1855 — Recebe a comenda da Ordem da Rosa

  • 1868 — Deputado e segundo vice-presidente da Província de São Paulo

  • 1869 — Governa a Província de São Paulo por algumas semanas

  • 1872 (13 de novembro) — Recebe o título de Barão de Piratininga

  • 1872 — Participa da fundação da Santa Casa de Misericórdia de São Roque

  • 1875 — Acionista fundador da Estrada de Ferro Sorocabana (chegada do trem a São Roque)

  • 1879 — Novamente deputado provincial

ATUAÇÃO CULTURAL E LITERÁRIA

Principais obras:

  • A Feiticeira — 1849

  • A Cruz de Cedro — 1851 (em folhetins no Jornal do Comércio – RJ)

  • Menino Louro, Mater! — 1854

  • A Assassina — 1848 (com carta-prefácio de Júlio Ribeiro)

  • Canto do Cisne e Vivo-Morto — 1876–1885 (poesias)

  • A Ermida de Santo Antonio — 1881

  • O Salto de Guainumbi — 1884

Jornais e publicações em que colaborou:

  • Correio Paulistano

  • Jornal do Comércio

  • Diário Mercantil

  • Almanaque Literário de São Paulo

  • Revista dos Novos

RELAÇÕES HISTÓRICAS IMPORTANTES

  • D. Pedro II — admirador e concedente do título de barão

  • Joaquim Roberto de Azevedo Marques — fundador do Correio Paulistano

  • Paulo da Silveira Santos — pesquisador e defensor de sua memória

  • Joaquim Silveira Santos — cronista e testemunha de relatos familiares

  • Mário de Andrade — Em 1944, comprou a Casa e Capela do Sítio Santo Antonio, em 1944. Patrimônio construído por Fernão Paes de Barros (século XVII) e que pertenceu ao Barão de Piratininga. Mário de Andrade iniciou a restauração e doou em testamento para o SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Posteriormente, o imóvel foi tombado e passou para o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

LEGADO EM SÃO ROQUE

  • Atuou diretamente na elevação de São Roque a município

  • Fundador da Santa Casa de Misericórdia de São Roque (1872)

  • Busto inaugurado nos anos 1970 na Avenida João Pessoa

  • Proprietário histórico do Sítio e Capela de Santo Antonio

  • Patrono da Cadeira nº 19 da Academia Paulista de Letras (1909)

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

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