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Morre o ex-deputado federal José Camargo, aos 91 anos. Nascido em São Roque morava em Cotia

Ex-deputado José Camargo faleceu aos 91 anos

O ex-deputado federal José Camargo morreu nesta terça-feira (14), aos 91 anos, de insuficiência cardíaca no Hospital Albert Einstein (São Paulo).

Filho de Ernesto Benedito de Camargo e Antônia Xavier de Camargo, José Camargo nasceu em São Roque (16 de junho de 1928) e tem parentes na região de Canguera.

O comerciante Enéas Godinho (Snack House) lembra que José Camargo era chamado de o “padrinho dos vinhateiros”. Em várias oportunidades, José Camargo trabalhou em defesa da classe nos órgãos governamentais.

Foi casado com Maria de Freitas Camargo (Mariazinha) com quem teve cinco filhos. Deixa oito netos.

O velório ocorreu no Cemitério do Morumbi e o sepultamento foi nesta quarta-feira (15), às 13h30.

Empresário do ramo de radiodifusão era dono do Grupo Camargo de Comunicação das rádios 89 FM Rádio Rock, Alpha FM, Nativa FM (parceria com o Grupo Bandeirantes), 103 FM de Iperó (parceria com a Comunidade Cristã Paz e Vida), Rádio Nacional Gospel (Cotia) e das tevês Guarulhos e Cotia.

Jose Camargo iniciou a carreira política no PSP (Partido Social Progressista) e no PTN (Partido Trabalhista Nacional), sendo candidato a deputada estadual em 1962,

Com a promulgação do Ato Institucional nº 2 (AI-2), pelo presidente Humberto de Alencar Castello Branco, que estabeleceu em 1965 o bipartidarismo, Camargo foi um dos fundadores do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), em São Paulo, partido de oposição ao regime militar.

Pela ligação com o ex-governador Paulo Maluf, ingressou no PDS (Partido Democrático Social), que sucedeu a Arena (Aliança Renovadora Nacional) com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979. Em 1986, filiou-se no PFL (Partido da Frente Liberal).

Em 1970, foi eleito deputado federal pelo MDB e reeleito em 1974, 1978/1982/86, sendo deputado constituinte (1987/88). Em 1990, não conseguiu alcançar um novo mandato. Em 1992, foi candidato a prefeito de Cotia.

O arquivo da Fundação Getúlio Vargas (GV) registra que José Camargo faltou à votação da Emenda Dante de Oliveira que propôs a volta das eleições diretas para presidente da República. Foi um dos dissidentes do PDS que apoiou a candidatura oposicionista de Tancredo Neves que derrotou o deputado Paulo Maluf em eleição indireta.

Morava em Cotia em uma Fazenda Remadejo, no distrito de Caucaia do Alto. Era tio do ex-prefeito de Cotia, Carlão Camargo, e do ex-deputado estadual Márcio Camargo.

Márcio comunicou o falecimento do tio em mensagem no Facebook. “Sinto muito em informar que meu grande Tio José Camargo foi descansar junto ao Nosso Senhor e nossos familiares que no céu já estavam. Exemplo de vida para todos, meu professor com quem aprendi muito e foi meu espelho de vida.

Com muito orgulho pude homenageá-lo um pouco na minha passagem pela Assembleia Legislativa pelo muito que fez aos amigos e aos familiares e a grande contribuição que deu ao nosso país. Descanse Tio e obrigado por tudo. Deus esteja sempre com o senhor”, postou o ex-deputado.

Marcio Camargo durante homenagem ao tio na Assembleia Legislativa

Em agosto de 2017, Márcio Camargo e Fernando Capez tiveram a iniciativa de homenagear José Camargo na Assembleia Legislativa de São Paulo com o “Colar de Honra ao Mérito Legislativo” pela trabalho desenvolvido e contribuição na política brasileira.

“Minha modesta carreira política significa que o povo paulista estava satisfeito com meu trabalho. Fiz de tudo para ajudar a nação, atuei em comissões e representei o Brasil em diversos países, onde recebi inúmeras honrarias, mas esta comenda tem um grande valor e ficará na minha cabeceira”, disse José Camargo.

No discurso da sessão solene, Márcio Camargo apresentou a biografia do tio e destacou algumas curiosidades.

Na eleição de 1970, inicialmente José Camargo seria candidato a deputado estadual e o ex-prefeito de Osasco, Guaçu Piteri, a federal. No meio da campanha, devido a pressão da esposa de Piteri, para que o marido permanecesse em São Paulo, eles trocaram a candidatura. Acho que o Piteri ficou um pouco com medo de ser federal aquela vez e lançou o meu tio.”

Márcio Camargo também foi buscar na lembrança os números usados em campanhas eleitorais. Na primeira vez o 330, 149 na segunda. Destacou o número da última vitória. “Ele usava o slogan. José Camargo, 2520. Ele é a sua voz na Constituinte”.

José Camargo durante homenagem na Assembleia Legislativa (2017)

Essa não foi o ex-deputado Márcio Camargo que contou, mas ainda menino lembro que  José Camargo causou polêmica em sua terra natal ao literalmente distribuir “santinho” na festa do padroeiro. O impresso trazia a foto de São Roque com o nome do deputado.

O filho João Camargo disse à Folha de São Paulo que o pai “se portou mais na política como articulador”. Lembrou também que foi muito próximo do presidente João Figueiredo (1979/85) chegando a lançar no Congresso a proposta de reeleição do general à presidência e também dos governadores e prefeitos.

José Camargo foi um dos articuladores da vitoriosa campanha de Jânio Quadros a prefeito de São Paulo (1985).

Foi assessor técnico-legislativo e secretário de Justiça de Osasco e procurador do MDB junto ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Publicou trabalho sobre “Direito Eleitoral em Defesa do Povo” (1978, 1982 e 1989).

O governador João Doria prestou “solidariedade aos familiares e amigos neste triste momento.”

Comunicado da morte de José Camargo enviado pelo sobrinho Márcio Camargo

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