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“São Roque é a minha raiz”: ator Juca de Oliveirae morreu aos 91 anos

O ator e autor teatral Juca de Oliveira morreu, aos 91 anos, na madrugada do último sábado (21), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde o dia 13 de março com pneumonia. O são-roquense José de Oliveira Santos nasceu em 16 de março de 1935 e, desde criança, era chamado de Juca, apelido familiar que o acompanhou na carreira artística. Sucesso de público e crítica, o teatro era a paixão, mas também brilhou nas novelas (Tupi e Globo) e na luta em defesa da classe, como presidente do Sindicato dos Atores de São Paulo, além da defesa da democracia. Era membro da Academia Paulista de Letras.

Juca jamais esqueceu da nossa São Roque. É raro encontrar uma entrevista em que deixe de citar a cidade onde nasceu. Lembrava do emprego na sapataria da família Nastri, dos colegas da primeira turma do ginásio (atual Horácio Manley Lane) e de tantos amigos.

O Jornal O Democrata registra dezenas de reportagens sobre a carreira de Juca de Oliveira. O ator citava a decisão que transformou a vida do bancário e estudante de Direito no Largo São Francisco. A troca de um futuro promissor pelo teatro levou o pai, conhecido como Tonico Sessenta, a estremecer o relacionamento com o filho. Juca ainda não havia falado com a família e O Democrata antecipou a informação que abalou a relação entre ambos.

Alguns anos depois, Tonico Sessenta se rendeu ao talento do filho ao chegar ao teatro sem avisar e pagando ingresso. Certa vez, internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, quis saber por que havia tanta movimentação nos corredores. Surpreendeu-se e ficou orgulhoso ao descobrir que o motivo era a chegada do galã que interpretava “Nino, o Italianinho”, que visitaria o pai hospitalizado. O filho dele era um grande sucesso na TV Tupi.

Em 2012, Juca esteve em São Roque em um evento da concessionária CCR ViaOeste, no Recanto da Cascata, em um projeto com estudantes. Tive a oportunidade de entrevistá-lo, quando falou das primeiras apresentações no grupo de teatro de Alfredo Bertolini, em Mairinque. “O Democrata fez uma crítica dessa peça que eu guardei o recorte e coloquei em um quadro na minha galeria, na minha fazenda em Itapira. Naturalmente, eu me chamava José de Oliveira Santos, eu não era o Juca de Oliveira. Faz uma menção à minha interpretação. Mas dali eu não poderia supor que o teatro entraria na minha vida.” Não localizei ainda essas duas notícias no centenário arquivo do Jornal O Democrata. Fica, talvez, para uma futura coluna — não estou prometendo.

SÃO ROQUE OU MAIRINQUE

Juca de Oliveira nasceu em São Roque, mas, por ter morado em Mairinque (ainda distrito de São Roque), algumas pessoas questionam a cidade natal. O próprio Juca esclareceu em entrevista: “Eu nasci no [bairro] Taboão, onde meus avós tinham uma adega e produziam o vinho Collo. Ali moravam meu tio Renato e toda a família. Nós moramos por um tempo ali e foi lá que nasci. Mairinque vem muito tempo depois. Meu pai era um aventureiro, sempre procurando coisas novas. Amanhã seria a redenção de todos nós: ficaríamos riquíssimos, a vida seria ótima. De chofer de táxi foi para vendedor de burros e cavalos, produtor de carvão. Enfim, procurava alternativas, e uma delas foi morar em Mairinque. Ele trocou um imóvel por uma participação em uma padaria, e lá fomos nós. Mas a minha raiz é São Roque.”

PRIMEIRA TURMA DO GINÁSIO E A BRASITAL

Juca de Oliveira fez parte da primeira turma do ginásio estadual de São Roque 1948/51 (atual Horácio Manley Lane) e não escondeu a emoção ao ver a publicação de O Democrata com todos os formandos. “Olha os professores! O colega de classe Argeu Villaça Filho, que é grande amigo meu lá em São Paulo, sogro da atriz Denise Fraga. Este grupo vem se reunindo de tempos em tempos.” Juca participou de alguns desses encontros.

Em 1º de maio de 1987, esteve em São Roque na cerimônia que marcou a entrega da Brasital à população, ocasião em que lhe entreguei uma foto ao lado de Darcy Penteado, que morreria em 3 de dezembro do mesmo ano. “Queridíssimo Darcy Penteado. Tenho um quadro belíssimo dele, que comprei há muito tempo e que prezo muito. É uma obra-prima, porque retrata a procissão do Senhor Morto, e ele colocou Dona Vita como personagem principal. Nha Vita foi minha parteira e também do Darcy. Desgraçadamente, perdemos Darcy muito cedo, um artista plástico simplesmente genial.”

Em 13 de agosto de 2018, recebi da Câmara de São Roque a medalha Vasco Barioni, por indicação do vereador Alfredo Estrada. Na mesma sessão, Juca de Oliveira foi homenageado com a medalha Barão de Piratininga, por iniciativa do vereador Guto Issa.

Foto 1. Juca de Oliveira na Brasital

Foto 2. Juca de Oliveira aluno

Foto 3. Juca de Oliveira melhor ator

Foto 4. Juca de Oliveira Vander Luiz

 

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

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