Darcy Penteado centenário de nascimento. “Acho da maior importância que a cidade onde ele nasceu lhe preste todas as homenagens”, Aguinaldo Silva
DARCY PENTEADO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO:
“Acho da maior importância que a cidade onde ele nasceu lhe preste todas as homenagens”, Aguinaldo Silva
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Há cem anos (30 de abril de 1926) nascia Darcy Penteado, são-roquense, publicitário, artista plástico, cenógrafo, escritor e líder homossexual. Saiu da nossa São Roque para ganhar o mundo com talento e personalidade. Faleceu em 3 de dezembro de 1987, vítima de AIDS. O Arquivo Vivo tem a honra de publicar o depoimento de Aguinaldo Silva, consagrado autor de novelas, que estava ao lado de Darcy Penteado nas edições do jornal alternativo Lampião de Esquina, uma publicação de e para gays que circulou por quatro anos (1978/81).
Obrigado, Aguinaldo Silva pela gentileza que mesmo em meio ao trabalho dos capítulos finais de “Três Graças” fez questão de falar do centenário de nascimento de um “amigo especialíssimo”. Agradeço também ao jornalista Virgílio Silva pela ajuda no contato. Aguinado, Virgílio e Zé Dassilva formam “Os Três Silva”, autores da novela. Aguinaldo respondeu prontamente ao e-mail. “Vander, terei o maior prazer em participar dessa homenagem. Vou preparar o texto e mandarei por aqui. Pode me dar a ideia do tamanho? Abraço, Aguinaldo.” Quem sou eu para delimitar o quanto ele poderia escrever? A noticia tem o tamanho que a informação merece.
“Darcy Penteado foi o homem mais cortês e bem educado que já conheci. Era o que se poderia chamar de ‘um cavalheiro para todas as estações’. Conviver com ele foi sempre um prazer e uma forma de aprendizado. Era um artista no sentido mais literal do termo, inclusive na forma como encarava – e vivia – a vida. Morreu cedo e fez muita falta. E nessa época de celebridades instantâneas, que passam pelo céu das celebridades iguais a cometas e são vazias de conteúdo, anda meio esquecido. Precisamos lembrar de figuras como Darcy Penteado: o homem, o artista e, para mim, um amigo especialíssimo. Acho da maior importância que a cidade onde ele nasceu lhe preste todas as homenagens. Elas são merecidas.”
“Mário era um aluno muito incorregível. Os seus colegas eram muito estudiosos e por isso muito aconselhavam Mário que dizia: não adianta, não me entra na cabeça. Quando o professor estava ausente, Mário fazia-se de professor, punha os óculos do mestre, pegava o ponteiro, falava asneiras, além disso rabiscava toda a lousa”.Muitas vezes Mario chegava até a dar nos colegas na aula. Quando ele não brincava em aula, dormia até que o professor lhe chamasse a atenção. Certa vez, quando o professor entra em classe pôde reparar o menino se engraçando. O professor ficou tão bravo que se viu obrigado a expulsar o menino da escola. Assim acontece com todos os vadios”
