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Mário de Arruda Rosa (Marico)

Mário de Arruda Rosa nasceu em 8 de abril de 1930, em São Roque, filho de Antenor de Arruda Rosa e Maria do Prado. Na infãncia ganhou o apelido de Marico que o acompanhou por toda a vida. Nasceu no sítio dos pais próximo à Estrada do Candor (Bairro do Guaçú) onde cresceu ao lado dos irmãos Antonio (Tonico), Jandira, Benedito, Circe, Jacira, Diva e a caçula Iracema, a única irmã viva.

Pessoa de hábitos simples, trabalhou na roça e depois na tropa de burros do pai que transportava carvão do Saboó até São Roque.  Viagens realizadas dentro de São Roque com burros e mulas: a carga na cangalha e o virado de feijão na bruaca (bolsa de couro).

Marico trabalhou na Fábrica Nacional de Ferramentas que se instalou no Guaçú (hoje, início do acesso de São Roque à Castello Branco) que empregou, entre outros, dezenas de agricultores que buscavam uma remuneração mensal diante das incertezas e dificuldades do homem do campo, sempre desvalorizado no Brasil.

Na Ferramenta trabalhou por 17 anos, mas nunca deixou de lado o gosto pela roça. Em 1974, comprou em sociedade com Joaquim Scalea (diretor da Ferramenta) um sítio de 16 alqueires no final da Estrada do Candor, local que Marico conhecia muito bem, afinal tios e primos dele moraram nesta propriedade.

Mesmo trabalhando na Ferramenta empenhou-se em aprender a dirigir e conquistou um ponto de taxi. Inicialmente na Praça da Matriz de São Roque, onde os carros estacionavam em frente à Padaria Guarani. Depois o ponto de taxi Número 1 (Ponto Nossa Senhora Aparecida) mudou-se para a Rua Padre Marçal em frente ao Colégio São José (Colégio da Freiras), para onde se transferiram a Prefeitura e Câmara de São Roque, em 31 de janeiro de 1974 (Governo Jarbas de Moraes).

Marico foi motorista por mais de 30 anos, quando vendeu o ponto. Diga-se em boa hora, porque houve grande desvalorização com a chegada dos aplicativos. Em alguns períodos, onde quis se dedicar mais ao sítio, teve motoristas que trabalharam por comissão e depois arrendamento. Assim, jovens motoristas tiveram a oportunidade de emprego. Um deles foi José Soleira, o Zé Linguiça, que tinha acabado de servir o Exército onde passou por um cirurgia para a retirada de um dos pulmões. Tirou a carteira de habilitação no serviço militar e passou a ser taxista.

Casou-se com Ignêz de Jesus Arruda em 6 de julho de 1957 e passou a morar na Avenida Anhanguera. Ali nascia a ligação com o Jardim Bandeirantes e o Bairro do Cambará. Depois de passar por outras casas no Jardim Bandeirantes, morou provisoriamente na casa do sogro (Rua José Henrique da Costa, 377) e  mudou-se para casa própria no número 165, onde residiu por mais de 50 anos. Foi um dos primeiros moradores do trecho inicial da José Henrique da Costa (Jardim Bela Vista), quando boa parte da atual Avenida Bandeirantes era brejo com taboas e incontáveis rãs e sapos. A região também sofria com as enchentes.

Marico acompanhou o crescimento da região. Abertura de ruas, a movimentação na Estação Experimental, o sonhado asfalto (1980, tempo em que os moradores pagavam pelo serviço), ampliação da Escola Barão de Piratininga, canalização do córrego da Avenida Bandeirantes e, principalmente, cultivou amizades. A viela que agora recebe o nome dele – entre as ruas José Henrique da Costa e Bento Antonio Pereira -, sequer existia porque a região era tomada por lotes sem cerca. Isso sem contar as poucas casas nas vilas Santo Antonio, São José e Jardim Flórida. No trabalho de taxista, transportou tanta gente por essas ruas hoje tão valorizadas. Quantas vezes foi acordado de madrugada com alguém batendo à porta para atender alguma emergência na Santa Casa ou na casa de farmacêuticos que abriam o estabelecimento para vender remédios e aplicar injenções. Um  verdadeiro serviço de utilidade pública. Criança com febre, mulher grávida e homens com dores.

Na garagem da casa dele, “formaram-se” alguns mecânicos conhecidos da cidade. O sobrinho Henrique Mário de Arruda Rosa (Grilo) trabalhava na Revendedora Volkswagem (Sociedade de Automóveis Vettorazzo), na Avenida Tirandentes, 482 (atual McDonald’s) e passou a realizar consertos à noite e nos finais de semana. Por ali, entre outros, passaram os jovens Piá (Nelson Zuculin Sobrinho) e Toninho Zulu (Antonio da Silva Dias – Taif Veículos). Foi quando, Toninho trocou a farinha pela graxa, Antes era padeiro na Padaria Santa Rita (Padaria Romaniuc).

Ali também Zé Linguinça deixou de ser taxista para trabalhar como funileiro ao lado do primo Jorginho, na Funilaria São Jorge, tornado-se um dos mais procurados e valorizads de São Roque e região. Com certeza a experiência adquirida por esses profissionais serviu para que ganhassem confiança necessária para montar oficinas próprias.

Por sua vez, Marico levou a vida do seu jeito, com simplicidade e amigo dos amigos. Participou de romarias, festas, conversas de bar e nunca se afastuou da origem rural. Plantou alcachofra, feijão, arroz, vendeu leite, criou vacas na abandonada Brasital, castrou muitos porquinhos (canivete afiado e salmoura), gostava de churrasco e tomou suas pingas. Viveu a vida.

Marico morreu aos 85 anos no dia 1º de junho de 2.015, no Hospital da Unimed, vítima de câncer de pâncreas. A esposa Ignez de Jesus Arruda faleceu, aos 90 anos, em 7 de novembro de 2021.

FILHOS

O primeiro filho Sidnei Lúcio Rosa nasceu prematuro e faleceu com apenas três dias sendo sepultado em 12/04/1958. Depois vieram Valdemir e Vanderlei.

Valdemir Lúcio Rosa (01/12/1960) reside em Campinas é formado em Arquitetura pela PUC-Campinas. Além de projetos de pré-fabricados e restauro é professor da Escola da Cidade Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (São Paulo). Casado com a terapeuta ocupacional Maria de Lourdes Feriotti e tem dois filhos. O físico Arthur formado pela USP e que mora na Austrália e Augusto que estudou Publicidade e Propaganda (PUC-Campinas).

Vanderlei Luiz Rosa/Vander Luiz (16/10/1966) é jornalista e casado com a funcionária pública Mária Aparecida Grando Rosa e tem o filho André, estudante de Gestão de Turismo na Fatec-São Roque.

Vander Luiz

São-roquense, radialista e jornalista

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